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Depressão

O território da depressão é um lugar de bastante sofrimento para aqueles que nele se encontram. Quem ali já esteve não quer voltar e quem está, na grande maioria dos casos, não consegue sair sem ajuda. A grande questão é que nem todos conseguem identificar que estão nesse lugar, o que pode gerar ainda mais sofrimento ao sujeito, pois este passa por inúmeras situações de constrangimento social e pessoal por conta dos prejuízos cognitivos, emocionais e comportamentais causados pela depressão.

É preciso ficar atento, no entanto, para não confundir um transtorno depressivo com quaisquer quadros de melancolia. Situacões de tristeza passageira ou de aborrecimento com a vida são sentimentos normais da nossa natureza humana, mas que têm sido cada vez mais rejeitados por nossa sociedade numa busca desenfreada pelo prazer e o bem estar. Chamá-los de “depressão” seria uma desculpa para declarar tais sentimentos como inadmissíveis. O problema, na verdade, não é a simples presença de um ou outro sentimento, mas sim quando a tristeza e a melancolia deixam de ser momentâneas e se tornam permanentes na vida do indivíduo, interferindo no seu bem-estar.

Sintomatologia

“Humor deprimido na maior parte do dia, sentir-se triste ou vazio, diminuição do interesse e do prazer, insônia, fadiga e perda de energia são alguns dos critérios médicos para indicação de um episódio depressivo. Vários episódios configuram um transtorno depressivo”.

Estes são apenas alguns dos sintomas que podem ser encontrados em pessoas com um quadro depressivo. Porém, é importante ressaltar que o paciente deve apresentar no mínimo duas semanas de humor deprimido associados a outros sintomas de depressão para se caracterizar como tal.

Qual a relação entre a nossa sociedade e a depressão?

Vivemos em uma sociedade que cada vez mais tem produzido indivíduos depressivos. A probabilidade de uma pessoa ter depressão é entre 5% a 10% no decorrer da vida. Entretanto, esses números não são exatos, pois muitas pessoas não buscam ajuda psicológica, não entrando nessa estatística. Pode ser que esse número seja ainda maior.

O estilo de vida imposto pela sociedade pós-moderna “impõe diversas mudanças, costumes, modos de vida em um curto espaço de tempo e a impossibilidade de o indivíduo se adaptar a essas situações [pode] ocasionar a depressão”.

Outra situação recorrente que pode desencadear quadros depressivos é a perda de algo significativo, tais como um ente querido, o emprego, a moradia ou algo puramente simbólico.

Para Jung, psiquiatra suíço e autor da teoria analítica, a questão pode estar além do indivíduo. Segundo o autor, o aumento considerável populacional, sobretudo nas cidades grandes, exerce sobre nós um efeito depressivo. Trânsito quase sempre engarrafado, filas quilométricas para acesso a locais abertos ao público, transporte público hiperlotado, são situações que geram cotidianamente abborrecimento às pessoas que residem em grandes centros urbanos. Mas, não podemos simplesmente deixar nosso trabalho e nossas obrigações para morar no campo ou na praia. Precisamos trabalhar e nos sustentar.

Isso não significa que todos os indivíduos que moram nas grandes cidades, como São Paulo, terão depressão. Significa apenas que existe um risco maior devido ao estresse diário que estamos expostos com o trânsito, a violência, entre outros males das grandes metrópoles.

Obviamente, as grandes cidades trazem também muitas possibilidades profissionais, possuem maior facilidade de mobilidade, maior contato com eventos culturais e gastronomia, tratamento médico e muitos outros benefícios importantes para nosso bem-estar.

Tratamento e o lado positivo da depressão

Devido à crescente demanda de pacientes em busca de tratamento para a depressão, duas áreas complementares são bastante procuradas por aqueles que são acometidos por esse transtorno: a psicologia e a psiquiatria.

No processo terapêutico com um psicólogo que segue a abordagem analítica junguiana, o analista buscará compreender a alma humana e o sentido do sofrimento do paciente. Já a psiquiatria auxiliará com a medicação para aliviar os sintomas o que, em alguns casos, é encarado apenas como um tratamento paliativo, que deve ser complementado com a psicoterapia. Isto porque, a medicação atuará no sintoma, e a psicoterapia na causa do problema.

Dessa forma, através da análise, o paciente encontrará suas próprias formas de lidar com a depressão e assim poderá conviver com ela. Segundo a psicologia analítica, a depressão não é o fim, mas pode ser o início. A depressão é “parte de uma angústia e representa uma descida, uma puxada para baixo, para onde não queremos ir, entretanto é uma dor necessária, só então, algo novo pode surgir em nós”.

Referências

PURCOTES JÚNIOR, FRANCISCO. O simbolismo da depressão na perspectiva junguiana. Revista Psicologia Argumento, Curitiba, v. 30, n. 71, p. 613-620, out./dez. 2012. Disponível em: <http://www2.pucpr.br/reol/index.php/PA?dd1=7467&dd99=pdf>. Acesso em 04 fev. 2015.