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Medo, ansiedade e transtorno de pânico

Diferença entre medo e ansiedade

Medo e ansiedade têm sido, com frequência, os termos mais utilizados hoje em dia para designar um estado emocional desagradável de apreensão ou tensão a que um indivíduo é acometido. Além do aspecto psicológico, essa designação também contempla alterações fisiológicas pelas quais a pessoa passa durante seu período de temor, como, por exemplo, “palpitações, dificuldades em respirar, tonturas, suores, sensações de calor e frio ou tremores, desencadeados por uma ameça real ou antecipada”.

Embora ambos os termos pareçam sinônimos e, muitas vezes, sejam usados dessa maneira, medo e ansiedade são estados psicológicos distintos. O medo caracteriza-se, principalmente, por comportamentos de fuga e esquiva. Já a ansiedade é uma emoção que auxilia na detecção e antecipação de ameaças.

Outro termo bastante comum na contemporaneidade, e que também é confundido com medo e ansiedade, é o pânico, sobre o qual abordarei mais adiante neste artigo.

Desde os tempos primitivos o medo foi, para a espécie humana, o sinal de alerta mais sobressalente diante de situações de potencial perigo. Ficar imóvel diante de um animal feroz para passar-se despercebido, correr, atacar, entre outras ações, estão entre as respostas encontradas pelo homem diante do medo. Logo, percebe-se que o medo está fortemente associado a uma ameaça real e visível.

A ansiedade, por sua vez, é mais imprevisível que o medo: ela pode variar ao longo do tempo ou diante de situações que a desencadeiam, as quais nem sempre são reais ou visíveis. Pode ser uma situação desagradável de exposição, um pensamento aflitivo, ou mesmo alguma coisa que a pessoa nem consiga nomear. Tudo isso pode levar o sujeito a um estado ansioso do qual não consegue controlar. A ansiedade pode, ainda, vir acompanhada de tristeza, vergonha e/ou culpa, como pode, igualmente, ser composta por estado de cólera, curiosidade, interesse e excitação.

Medo e ansiedade caminham lado a lado com nossa natureza humana. Portanto, é importante ter claro que é normal o indivíduo sentir-se temeroso ou levemente ansioso diante do desconhecido ou de situações de ameaça ou de grande expectativa. São como se fossem mecanismos que nos deixam em estado de alerta e preparados para enfrentar o que vem pela frente. No entanto, o desequilíbrio entre medo e ansiedade é que se torna um problema e pode colocar a pessoa em situações de extremo risco ou angústia.

Quando em níveis muito baixos, o indivíduo muito destemido perde seu senso de auto-proteção e não tem receio de arriscar-se em situações altamente perigosas, como, por exemplo, dirigir em alta velocidade, escalar lugares altos sem equipamentos de segurança, dentre outros. Por outro lado, em níveis elevados, o estado da pessoa é marcado por persistente preocupação acompanhada de sensações e alterações no organismo. Quando muito intenso, duradouro e desproporcional às situações exteriores, pode até ser considerado um transtorno de ansiedade, como, por exemplo, o transtorno de pânico, por conta dos prejuízos emocionais que o indivíduo apresenta.

Além do mais, existem evidências de base genética de que a ansiedade pode ser um fator hereditário, ou seja, transmitida de pais para filhos. Entretanto, não se pode pontuar que um sujeito com histórico de ansiedade na família irá também sofrer desse mesmo transtorno. Mas, o que se sugere é que pode existir nesse indivíduo uma predisposição a desenvolver algum transtorno de ansiedade.

Transtorno de Pânico

Segundo especialistas, “o Transtorno de Pânico é um dos transtornos de ansiedade que atinge aproximadamente 3% da população, provoca grande sofrimento pessoal e impacto na vida diária dos pacientes (…). Segundo o DSM IV (classificação de doença – Estados Unidos), uma súbita sensação de intensa apreensão, medo ou terror, em geral associada com sentimentos de desastre iminente, caracteriza um ataque de pânico. A presença recorrente destes ataques e a preocupação sobre ataques futuros e suas consequências descrevem essencialmente o Transtorno de Pânico”.

Os sintomas mais comuns que se apresentam durante uma crise de pânico são:

  • Palpitações
  • Tontura
  • Sudorese
  • Dispnéia (falta de ar)
  • Medo de ficar louco ou perder o controle

Outros sintomas, menos comuns, também podem ocorrer em uma crise de pânico:

  • Dor no peito
  • Sensação de irrealidade
  • Parestesias (sensações na pele de calor, frio, formigamento, etc)
  • Arrepios
  • Sensação de desmaio
  • Tremor

Em geral, o indivíduo que apresenta, ao mesmo tempo, ao menos quatro desses sintomas, enquadra-se no critério diagnóstico do Transtorno de Pânico.

As pessoas acometidas pelo Transtorno de Pânico podem reagir de forma exagerada ao mais leve sinal fisiológico em seu organismo como se aquilo fosse um indício de um mal súbito iminente. Por exemplo, “uma leve sensação de falta de ar que não seria valorizada pela maioria das pessoas, é facilmente interpretada com indício de parada respiratória”. Essa supervalorização dos sintomas traz aos indivíduos que sofrem de pânico grande angústia e sofrimento.

Muito se tem discutido acerca do que leva uma pessoa ao pânico. Sabe-se que algumas determinadas situações podem ser o gatilho de uma crise de pânico, tais como a perda ou doença de entes queridos, doença ou grande risco para a própria pessoa, divórcio ou conflitos intensos no ambiente familiar.

Todas essas situações têm o potencial de desencadear um Transtorno de Pânico no indivíduo. Vale ressaltar, contudo, que nem todas as pessoas que vivenciam tais situações desenvolvem o transtorno. Alguns fatores psicológicos, no entanto, podem ser determinantes para potencializar a possibilidade de o indivíduo entrar em uma crise de pânico, a saber: “fatores de personalidade (passividade, dependência, ansiedade de separação, dificuldade em lidar com sentimentos) e formas características de interpretar as sensações corporais facilitam a catastrofização das consequências dos ataques e interferem na apreensão crônica por novos ataques”.

Pessoas nessas condições não conseguem encontrar a fortaleza necessária para enfrentar as experiências ruins que lhe são apresentadas, ficando ainda mais vulneráveis dado o terror do perigo que imaginam naquela situação. Assim, na tentativa de evitarem novos ataques, encontram formas de fugir das situações causadoras de estresse e ansiedade. Isto, num primeiro momento, pode parecer “resolver” o problema, mas não o afasta por completo, estando a pessoa sujeita a futuros ataques já que a causa não foi tratada.

Tratamento

O ideal nos casos de ataque de pânico é que a pessoa busque ajuda profissional. Em casos mais graves, o tratamento psicológico pode ser complementado com o uso de medicamentos prescritos por psiquiatra, dada a severidade dos ataques  e dos prejuízo que causam à pessoa. O medicamento, neste caso, vai apenas aliviar os sintomas, enquanto a causa permanecerá. Nesse sentido, a psicoterapia é, juntamente com a medicação, essencial para as pessoas que sofrem de algum transtorno de ansiedade.

A psicoterapia pode auxiliar no autoconhecimento e na resolução dos conflitos que a pessoa não esteja conseguindo resolver sozinha. Por isso, se você, ou alguém que você conhece, estiver vivendo crises de ansiedade ou pânico, procure ajuda de um especialista. Sua vida pode ser melhor e mais equilibrada emocionalmente.

Como, além da mente, somos também constituídos de um corpo, é igualmente importante cuidar do organismo, buscando tudo aquilo que colabore para uma vida mais saudável, como boa alimentação, exercícios e atividade física, dentre outros. O velho chavão “corpo são, mente sã” tem se mostrado verdadeiro para aqueles que buscam equilíbrio mental e físico.

Dica: Relaxamento Muscular Progressivo (Sandor, 1974)

Algumas técnicas de relaxamento são utilizadas como tratamento terapêutico e, por isso, você vai encontrar logo a seguir uma técnica bastante interessante do médico húngaro Petho Sandor, chamada de Relaxamento Muscular Progressivo. Realize os passos abaixo, de preferência com uma música instrumental relaxante ao fundo. Sente-se numa posição confortável e inicie.

Respire calmamente, calmamente, calmamente. Agora, preste atenção somente nos músculos de seus braços. Contraia, contraia, contraia.
Solte, solte completamente os músculos de seus braços.
Perceba a diferença de quando eles estavam contraídos para agora que eles estão relaxados, relaxados, relaxados.
Respire calmamente, calmamente, calmamente.
Agora, preste atenção somente nos músculos de suas pernas. Contraia, contraia, contraia.
Solte, solte completamente os músculos de suas pernas..
Perceba a diferença de quando elas estavam contraídos para agora que elas estão relaxados, relaxados, relaxados.
Respire calmamente, calmamente, calmamente.
Agora, preste atenção somente nos músculos de seu pescoço e sua cabeça. Contraia, contraia, contraia.
Solte completamente os músculos de seu pescoço e sua cabeça.
Perceba a diferença de quando eles estavam contraídos para agora que eles estão relaxados, relaxados, relaxados.
Respire calmamente, calmamente, calmamente.
Agora, preste atenção somente nos músculos de seu abdômen, tórax e de suas costas. Contraia, contraia, contraia.
Solte, solte completamente os músculos de seu abdômen, tórax e de suas costas.
Perceba a diferença de quando eles estavam contraídos para agora que eles estão relaxados, relaxados, relaxados.
Agora que você está totalmente relaxado, você sente uma agradável sensação de peso e de calor no seu corpo. Respire calmamente, tranquilamente.

Ao final, abra seus olhos lentamente, se espreguice e vá retomando seus movimentos lentamente, sem movimentos bruscos. Desfrute por alguns instantes o relaxamento em seu corpo.

Referências

BAPTISTA, Américo; CARVALHO, Marina; LORY, Fátima. O medo, a ansiedade e as suas perturbações. Psicologia, v. 19, n. 1-2, p. 267-277, 2005. Disponível em <http://www.scielo.mec.pt/pdf/psi/v19n1-2/v19n1-2a13.pdf>. acessos em 21 fev. 2016

RAMOS, Renato Teodoro. Transtorno de Ansiedade. Disponível em < http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4131>. acessos em 24 fev. 2016.

SHINOHARA, Helene. Transtorno de pânico: da teoria à práticaPanic disorder: from theory to practice. Rev. bras.ter. cogn.,  Rio de Janeiro ,  v. 1, n. 2, p. 115-122, dez.  2005 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872005000200012&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  21  fev.  2016.