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Vamos falar sobre AIDS?

Apesar de nunca na história da humanidade termos tido tantos meios para receber e disseminar informação, falar sobre AIDS e HIV, ainda hoje, é  um grande tabu para muita gente. Em algumas famílias e grupos sociais,  o assunto chega a ser quase que proibido, por considerarem a doença como uma moléstia da promiscuidade e do pecado. Evidentemente, essa visão retrógrada e deturpada está longe da verdade e apenas é reflexo da desinformação regada a preconceito. O fato é que qualquer pessoa pode sujeitar-se a uma situação de risco e se expor ao vírus HIV, seja ela solteira ou casada, provida de recursos ou miserável, branca ou negra, heterossexual ou homossexual. O vírus da AIDS não faz distinção de cor, gênero, estado civil, condição social, orientação sexual, ou qualquer outra forma de discriminação. Basta ser humano.

Desde sua descoberta na década de 1980, a AIDS alastrou-se rapidamente pelo mundo inteiro. Por ser uma doença desconhecida à época, levou-se certo tempo para que a medicina evoluísse no tratamento e medidas eficazes de controle da doença. Enquanto as formas de tratamento ainda eram incipientes e amadureciam aos poucos à medida em que a AIDS era melhor estudada e compreendida pela ciência, era difícil aos indivíduos que se infectaram pelo HIV manter sua longevidade. De fato, muitos deles pereceram antes mesmo de o tratamento da doença ter se estabelecido. Felizmente, o tratamento atual para os soropositivos e portadores da AIDS tem se mostrado maduro e eficaz, permitindo que esses sujeitos vivam sem grandes complicações, desde que sigam certos cuidados.

Hoje, o tratamento eficaz da AIDS já é uma realidade. Foi uma conquista da ciência e da medicina ao logo de pelo menos duas décadas de árduo estudo. A AIDS, por ora, não tem cura, porém os infectados pelo HIV podem manter sua carga viral sob controle e em patamares mínimos, graças ao tratamento que hoje se tem disponível. Antes disso, ser diagnosticado com o vírus da AIDS era como ser sentenciado à morte. Esse, infelizmente, foi um drama vivenciado por milhares de soropositivos. Existem diversos filmes que relatam as dificuldades e angústias de se viver com AIDS, principalmente na época em que começaram a surgir os primeiros casos da recém-descoberta doença. Um deles, de 2013,  intitulado Clube de Compras Dallas, retrata a história de Ron Woodroof, um texano que no ano de 1986 é diagnosticado com AIDS e que, a partir de então, precisa aprender a lidar com a doença, a inexperiência médica no assunto e o preconceito da sociedade.

Graças ao melhor entendimento acerca da doença, bem como da disseminação das formas de prevenção às populações, a AIDS, no mundo, tem sido mantida sob melhor controle ao longo dos últimos anos. Todavia, alguns países têm vindo na contramão dessas estatísticas, como é o caso do Brasil, onde o número de infectados veio se elevando gradativamente nos anos recentes. Isso tem levantado diversas preocupações de saúde pública no país, já que uma epidemia desenfreada de AIDS na população pode levar ao esgotamento da medicação disponível, bem como à ineficácia dos tratamentos, já que o vírus HIV, ao se alastrar, pode sofrer mutações e desdobrar-se em cepas resistentes aos medicamentos atuais.

Dados atualizados

No último dia 12 de julho, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) divulgou um novo relatório a respeito do avanço do HIV no país e no mundo.  Os dados se mostraram preocupantes: enquanto que no Brasil, em 2010, haviam cerca de 43 mil pessoas infectadas, em 2015 esse número subiu para 44 mil. Isso representa um aumento de 2,3% de soropositivos na população, número bastante expressivo se comparado aos 2% de aumento em toda América Latina para o mesmo período – o que tem deixado os infectologistas em estado de alerta.

De acordo com Michel Sidibé, diretor executivo do UNAIDS, “o poder da prevenção não está sendo concretizado. Se ocorrer uma ressurgência no número de novas infecções pelo HIV agora, a epidemia se tornará incontrolável”.

Mundialmente, os casos de novas infecções tiveram uma baixa de 4,5%, passando de 2,2 milhões de infectados em 2010 para 2,1 milhões em 2015. Apesar dessa desaceleração em escala global, se tomarmos algumas regiões específicas do planeta, pode-se observar um movimento oposto no período considerado. Exemplo disso é que, além do Brasil e América Latina mencionados anteriormente, o número de soropositivos, entre 2010 e 2015, cresceu também na Europa Oriental e Ásia Central (alta de 57%), Caribe (9%), e Oriente Médio e norte da África (4%).

Grupos de risco ou comportamentos de risco?

É comum as pessoas ainda pensarem que a AIDS é uma doença bastante seletiva que atinge somente alguns grupos específicos da sociedade. De acordo com essa visão, nesses grupos, até então tidos como de risco, se enquadrariam apenas os homossexuais, os usuários de drogas injetáveis, os prisioneiros, os profissionais do sexo e seus clientes, e as pessoas trans. É de clareza solar que, há tempos, isso deixou de ser uma verdade.

De acordo com o Portal da Saúde, mantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), hoje não há mais que se falar em grupo de risco, mas sim em comportamento de risco.  Isto porque,  o vírus da AIDS prolifera-se de forma tão generalizada que não se restringe apenas aos grupos que, historicamente, foram os que tiveram maior incidência de contaminação pelo HIV. O contágio está mais associado ao comportamento do indivíduo, que pode expô-lo a situações de risco de contaminação, do que com o simples fato de se pertencer a um determinado grupo social. Prova disso é que entre os heterossexuais, que nunca se enquadraram nos grupos de risco, o número de infectados pelo HIV tem aumentado proporcionalmente com a epidemia no decorrer dos anos.

Além disso, há que se considerar que em determinadas ocasiões a contaminação não ocorre somente pelo comportamento volutário do indivíduo. Existem situações em que a transmissão ocorre indepentemente da ação da pessoa, como em transfusões de sangue contaminado, crianças nascidas de mães soropositivas infectadas na gestação/parto ou amamentação, acidentes ocupacionais (principalmente entre os profissionais de saúde), e até mesmo casos de estupro e agressão. A título de exemplo, recentemente, a mídia tem noticiado o caso de um homem que tem atacado mulheres na cidade de São Paulo com uma seringa que, potencialmente, pode estar contaminada com HIV e agentes transmissores de outras doenças como sífilis, hepatite B e hepatite C.

O que é HIV?

HIV é a sigla em inglês para o termo “Vírus da Imunodeficiência Humana”, o qual designa o vírus  causador da doença conhecida como AIDS – Acquired Immunodeficiency Syndrome (ou, em português, SIDA – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida).

Quando invade o corpo humano, o HIV age atacando as células do sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças e infecções. Como todo vírus, o objetivo do HIV é perpetuar-se às custas do hospedeiro. As células mais atingidas pelo HIV são os linfócitos T CD4+, justamente aqueles que coordenam a resposta imune do organismo ativando e estimulando outros leucócitos a se multiplicarem e atacarem invasores. O vírus afeta o DNA desses linfócitos fazendo cópias de si mesmo. Depois de se duplicar, o HIV rompe os linfócitos atacados em busca de outros saudáveis para continuar sua perpetuação.

Com o sistema imunológico debilitado, devido à devastação causada pelo HIV, o corpo humano fica mais suscetível a contrair doenças oportunistas que se aproveitam do reduzido número de células de defesa do organismo.

Um indivíduo soropositivo é um indivíduo com AIDS?

Não necessariamente. A pessoa pode ser soropositiva (isto é, estar contaminada pelo HIV) e não ter a doença AIDS. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar quaisquer sintomas e sem desenvolver a doença. Até por isso, muitos desses indivíduos assintomáticos nem mesmo fazem ideia de que estão contaminados. Contudo, apesar de não aparentarem qualquer sintoma,  ainda assim continuam sendo transmissores do vírus HIV a outros, seja através de relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação.

Pensava que HIV e AIDS eram a mesma coisa… Mas, então, o que é a AIDS?

A AIDS é a doença ocasionada devido à infecção pelo HIV.  Ela se manifesta num estágio mais avançado do processo de devastação do sistema imunológico, quando o HIV já destruiu tantos linfócitos que o organismo fica sem defesas suficientes para se proteger de outras doenças, desde um simples resfriado a patologias mais graves como tuberculose ou câncer. O corpo humano fica tão vulnerável que o próprio tratamento dessas doenças oportunistas fica prejudicado. Em geral, o indivíduo não perece de AIDS diretamente, mas sim por conta das doenças que adquiriu e não conseguiu se recuperar face a fragilidade de seu sistema imunológico devido à AIDS.

Há alguns anos, ser diagnosticado com AIDS era como receber uma sentença de morte. Hoje em dia, felizmente, é possível ser soropositivo e viver com certa qualidade de vida, graças aos tratamentos mais recentes disponíveis que ajudam a controlar a quantidade do vírus HIV no organismo e minimizar seus impactos no sistema imunológico. Saber precocemente do contágio pelo HIV é fundamental para aumentar ainda mais a sobrevida da pessoa. Por isso, o Ministério da Saúde  recomenda fazer o teste sempre que se suspeitar ter passado por alguma situação de risco.

Como se pega e como não se pega o HIV?

O HIV pode ser transmitido pelo sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno, e sua infecção pode se dar por diferentes formas quando há entrada desses fluidos no organismo. Logo, assim se pega o HIV:

  • Por relações sexuais sem camisinha/preservativo, seja ela vaginal, anal ou oral;
  • Da mãe infectada para o filho durante a gestação, parto ou amamentação;
  • Compartilhamento de seringa ou agulha contaminadas;
  • Transfusão de sangue;
  • Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

É importante deixar claro que o HIV não é transmitido pelo ar, ou pelo contato através de um aperto de mão, um abraço, um beijo no rosto ou na boca, ou uma troca de carícias. Você pode conviver normalmente com uma pessoa portadora do HIV sem receio algum de pegar o vírus. Quanto mais respeito você der a quem vive com HIV/AIDS, melhor será a resposta dessas pessoas ao tratamento, já que o convívio social é essencial para sua auto-estima, o que colabora para que elas cuidem melhor da saúde.

Disto isto, assim não se pega o HIV:

  • Sexo com uso correto da camisinha/preservativo;
  • Beijo no rosto ou na boca;
  • Suor e lágrima;
  • Picada de inseto;
  • Aperto de mão ou abraço;
  • Sabonete, toalha e lençóis, assim como talheres e copos;
  • Assento de ônibus;
  • Piscina;
  • Banheiro;
  • Doação de sangue;
  • Pelo ar.

O que devo fazer se tive uma situação de risco?

Caso você suspeite ter passado por uma situação de risco (como aquelas em que se pega o HIV listadas na seção anterior) procure imediatamente um posto de saúde mais próximo e peça a PEP (sigla em inglês de Profilaxia Pós-Exposição).

A PEP é um coquetel de medicamentos antirretrovirais que ajudam a reduzir a probabilidade de o HIV se fixar no organismo do indivíduo, caso de fato tenha havido o contágio. Ela deve ser tomada em até 72 horas após a suposta exposição ao HIV. Findo esse período, a eficácia da PEP em combater a fixação do vírus será praticamente nula. Por isso, a recomendação é que a pessoa inicie o tratamento o mais rápido possível, tão logo tenha passado pela situação de risco. Quanto antes se iniciar o tratamento com a PEP,  maiores as chances de sucesso.

A PEP é gratuita. A medicação, assim como todo o tratamento, o qual inclui exames de sangue e apoio psicológico, são oferecidos gratuitamente a toda população pelo Ministério da Saúde através da rede do SUS. O tratamento com os remédios da PEP dura 28 dias, e a pessoa exposta deve ser acompanhada pela equipe de saúde por 90 dias. Em São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde mantém um sistema em seu sítio na Internet, onde é possível buscar pelas unidades de saúde do Estado nas quais a PEP está disponível. Acesse-o através do seguinte link: Busca de Serviços para Profilaxia Pós Exposição (PEP Sexual). O Ministério da Saúde também possui um diretório onde estão listadas todos os serviços de saúde do Brasil que oferecem a PEP, o qual pode ser acessado pelo link: Onde Encontrar a PEP.

Lembre-se, o atendimento para quem possa ter se exposto ao vírus do HIV por meio sexual ou sofreu violência sexual, ou, ainda, teve um acidente ocupacional (para profissionais da saúde) deve ser sempre considerado uma URGÊNCIA MÉDICA.

Psicologia e HIV

Como seres humanos, nunca estamos preparados o suficiente para receber más notícias, como a morte de um ente querido, ou um diagnóstico de contaminação por HIV ou de AIDS. Considerando essas duas situações,  é interessante notar o quão diferentes são os desdobramentos sociais que geralmente ocorrem  face a elas, muito embora sejam casos que tragam sofrimento a quem os vivencia.

No caso de falecimento de algum parente próximo ou amigo, é bem provável que haja um certo apoio da família, dos amigos e das pessoas próximas como consolo para superar o luto e a dor da perda. Todos compreendem o que é perder alguém querido, já que passar pelo luto é uma experiência comum a todas as pessoas: de uma forma ou de outra, todos já perderam alguém ou alguma coisa significativa e sabem bem desse sofrimento. Por outro lado, tomando o caso da pessoa diagnosticada com HIV ou AIDS, o que normalmente ocorre é a culpabilização do indivíduo por ter se infectado e o afastamento de boa parte das pessoas que estavam ao seu redor por medo de contaminação. Assim, infelizmente,  o soropositivo passa a ser marginalizado, ou seja, colocado à margem da sociedade.

De acordo com estudiosos, o fenômeno do HIV/AIDS tem um histórico caracterizado e permeado por uma série de estigmas, tais como o preconceito, o medo e o sofrimento psíquico. Essa visão negativa do HIV e da AIDS, arraigada por décadas de desinformação e deturpações, torna o assunto difícil de ser discutido e acolhido com naturalidade nos círculos sociais. Isto faz com que os infectados pelo HIV e os aidéticos tornem-se ainda mais vulneráveis, além de dificultar o tratamento e combate adequados da doença. Pois, enquanto não se debater de forma natural o que de fato a AIDS é e como o HIV se prolifera, também não se saberá lidar com o doente e, o mais importante, não se aprenderá como se previnir e se proteger adequadamente do vírus.

O momento de descoberta da doença, para o sujeito, é extremamente delicado. A pessoa precisa de um tempo para digerir a informação, passar por um processo de auto-aceitação da condição de doente, para então se resignar a iniciar o tratamento. Infelizmente, por conta de tabus históricos, ser soropositivo é muitas vezes visto como um estigma da sociedade moderna, o que faz com que a pessoa com HIV ou AIDS sinta-se marginalizada e impura.

Dias atrás, soube de um caso que demonstra o quanto a pessoa diagnosticada com HIV/AIDS necessita de ajuda psicológica. É a história de um rapaz, soropositivo, que não aceitou o diagnóstico e que passou meses sem tomar qualquer medicação e tampouco buscou por tratamento. A cada dia, ele tentava esconder de si mesmo a realidade, afirmando a si próprio que estava saudável, apesar de seu corpo demonstrar o contrário. Esse jovem, dando-se conta de sua condição, resolveu buscar ajuda quando começou a ficar muito doente e debilitado. Mesmo hoje, fazendo o tratamento, tomando os remédios e recebendo apoio de psicólogos, ele ainda não consegue falar que é soropositivo. Sempre se refere à doença como algo impronuciável, dizendo frases, como “desde que soube que estava com isso (…)”.

O desconhecimento acerca do que se trata a doença, além de dar margens ao preconceito, pode torna-se também uma arma perigosa para a própria pessoa que a ignora ou tem uma visão deturpada do assunto. Um fato que demonstra claramente a existência desse abismo no entendimento do que é a AIDS e suas implicações, são aqueles que querem contrair o HIV por opção, adeptos do chamado barebacking (ou bareback), expressão que se refere à prática de sexo inseguro, sem camisinha – algo que se tornou caso de saúde pública e tem preocupado o Ministério da Saúde.  Essas pessoas acreditam que o melhor modo de não viver paranoico com medo de infectar-se pelo vírus é se contaminar logo de uma vez. São absolutamente crentes na teoria de que o vírus da AIDS, se contraído numa relação sexual, pode trazer benefícios para seu cotidiano, libertando-o, de uma vez por todas, do uso do preservativo e aumentando o prazer. São pessoas completamente alheias ao efeito devastador do HIV no organismo humano e do sofrimento causado pela AIDS. Além disso, a adesão desenfreada dessa prática aumenta o risco de mutações do vírus HIV em meio às inúmeras transmissões e retransmissões, o que pode resultar em uma legião de novas cepas do vírus mais resistentes aos tratamentos atuais.

Outro fato, tão chocante quanto, tem a ver com indivíduos que, sabendo ser soropositivos,  passam o HIV de propósito aos seus parceiros de sexo sem que eles saibam. São os membros de um grupo conhecido como “clube do carimbo”. Espalhados em sites e blogs pela Internet e oriundos de diversas partes do Brasil, têm usado táticas para infectar parceiros sexuais propositalmente. Também adeptos do barebacking, essas pessoas têm compartilhado dicas de como transmitir o HIV sem que o parceiro perceba – ato que chamam de “carimbar”. A prática é considerada crime e também tem causado preocupação na área da saúde.

Em meio a tudo isso, existe, ainda, uma prática apelidada de “roleta-russa do sexo”. Certa vez, ouvi o relato de um casal que participou de uma festa de swing, onde ocorreria uma roleta-russa: os casais trocavam seus pares, porém, dentre eles haviam algumas pessoas que estavam infectadas com o vírus HIV, mas não se sabia exatamente quem. E o prazer estava justamente em manter relações sexuais sem proteção correndo o risco de ser infectado. O termo “roleta-russa” vem justamente desse risco, em alusão ao “jogo” feito com uma arma de fogo, onde existe apenas uma bala no revólver e as pessoas atiram umas contra as outras sem saber em qual momento a bala realmente vai sair e atingir alguém.

Infelizmente, os fatos narrados anteriormente corroboram o quão distante está o conhecimento sobre a AIDS que gera inconsequência nas atitudes dos indivíduos, colocando em risco a si próprios e aos outros ao redor.

Felizmente, há pessoas que, ao invés de disseminar inconsequência, batalham para que a informação e a prevenção sejam uma constante na cabeça das demais pessoas. Existem bons exemplos de gente que conseguiu transpor a barreira do preconceito e da não aceitação e que hoje fala abertamente a respeito de sua doença a fim alertar a população dos riscos, mitos, verdades e tragédias sobre ser um soropositivo e ter AIDS.  Uma dessas pessoas é o Gabriel Estrela, desenvolvedor do Projeto Boa Sorte, um jovem que possui um canal no YouTube onde compartilha informações sobre o assunto. Recentemente, ele gravou um vídeo com a youtuber Jout Jout Prazer, chamado “Informação”. No vídeo, ele conta sua própria experiência com a doença e como consegue ter uma vida praticamente normal.

Um dos pontos mais marcantes da fala de Grabriel é que as pessoas ficam muito amarradas aos direitos dos portadores de HIV, em especial o direito ao sigilo, mas que isso é um direito e não um dever. Pois, se essas pessoas pudessem falar mais livremente sobre isso, a sociedade poderia olhar de uma forma diferente para os soropositivos e descontruir muitos preconceitos, além de aprender a se cuidar melhor para não ser infectado.

Por isso, eu faço um convite a você. Pare, olhe para dentro de si próprio e observe quantas amarras e preconceitos você ainda traz com relação ao assunto. Talvez um amigo ou um parente nunca tenham conseguido falar a respeito de HIV e AIDS com você pelo simples fato de não se sentir acolhido. Reveja sua vida e abra sua mente. Poderia ser você um soropositivo. Seja como for,  informação é a melhor aliada da prevenção, não apenas da doença, mas também do preconceito e da discriminação. Previna-se.

Referências

FELICISSIMO, Flaviane Bevilaqua et al . Estigma internalizado e autoestima: uma revisão sistemática da literatura. Psicol. teor. prat.,  São Paulo ,  v. 15, n. 1, p. 116-129, abr.  2013 .   Acessos em  05  ago.  2016

MINISTÉRIO da Saúde. Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais | Portal sobre Aids, doenças sexualmente transmissíveis e hepatites virais. Acesso em 15 jul. 2016.

LEAL, Noêmia Soares Barbosa; COELHO, Angela Elizabeth Lapa. Social representation of AIDS to Psychology students. Fractal, Rev. Psicol.,  Rio de Janeiro ,  v. 28, n. 1, p. 9-16,  abr.  2016 .  Acessos em  15  jul.  2016.

ONU Brasil. Novas infecções por HIV sobem 2,3% no Brasil entre 2010 e 2015, diz UNAIDS. Acesso em 15 jul. 2016.