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  Sebastian Bergmann/Flickr

Arte e psicologia

Este texto é parte de uma pesquisa realizada por mim e minha amiga, Kazumi Uehara. O conteúdo é a respeito da arte e da forma como a psicologia se relaciona com ela. Tanto a psicanálise como a psicologia analítica, e como essas duas abordagens olham para o mesmo fenômeno. O texto será apresentado em 2 partes, sendo esta a primeira. Para ler a segunda parte, clique aqui.

Introdução

Quando a psicologia se aproxima da cultura e da arte, muitas vezes, não possui a intenção de explicar tais fenômenos, mesmo porque esse não é o seu papel (MALANCHEN, 2012). No entanto, em alguns momentos, a psicologia explicou a arte e a cultura de maneira reducionista. Contudo, buscamos tecer um diálogo enriquecedor entre a psicologia e as produções culturais. Para tanto, partimos do pressuposto de que o homem é produtor de cultura e de arte por meio do trabalho (MALANCHEN, 2012).

Mas, o que de fato seria cultura e arte? Lamentavelmente, a resposta para essa pergunta é tão complexa que nem mesmo a filosofia chegou a uma definição exata (KOSLOWISKI, 2013). A única coisa, porém, que não se pode negar é que diariamente somos tocados pela cultura e pela arte, e que elas são capazes de influenciar nossas vidas e até mesmo transformar nossa opinião e subjetividade (KOSLOWISKI, 2013). E esse é um dos fatores fundamentais que inspiraram esta pesquisa, ou seja, de alguma forma a cultura e a arte são capazes de transformar o homem. E por isso desperta a atenção da psicologia.

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Adoção: da lei ao coração

A adoção na história do mundo

Ao contrário do que muitos imaginam, a adoção não é algo que surgiu somente na história recente da humanidade. O processo de adoção é, na verdade, uma prática bastante antiga nas civilizações. Desde a antiguidade, diversos povos demonstraram que o ato de adotar um filho se constituía algo bastante comum em suas culturas. Egito, Caldéia e Palestina, por exemplo,  encaravam a adoção como um mecanismo válido de perpetuação de crenças e costumes para famílias que não possuíam filhos biológicos ou não tinham condições de tê-los. Nessas civilizações, a adoção era, inclusive, regida pelo “Código de Hamurabi (1728-1686AC)”, tão sedimentado estava o tema nessas culturas.

Na Europa, durante a alta Idade Média, período compreendido entre os séculos V e XV, a adoção caiu em desuso. Isto se deu muito por conta da mentalidade vigente à época de que, para a preservação da linhagem familiar, os laços consanguíneos  deveriam ser priorizados em detrimento de laços afetivos. Somado a isto, não havia também estruturas bem estabelecidas de proteção à infância que se preocupasse com o abandono e a orfandade infantil. Naquela época, de fato, as crianças eram tratadas como “mini adultos” e, por isso, não eram sequer poupadas de questões que hoje são tidas como estritamente do mundo adulto, tais como sexo, bebedeira, trabalho, dentre outros. Esta situação perdurou ainda por algum tempo nos séculos seguintes.

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Era uma vez uma família perfeita… – A difícil missão de se ter um filho autista

No último dia 2 de abril foi celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, evento promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para encorajar os países a adotarem uma atitude de maior atenção com relação ao transtorno do espectro autista (nome oficial do autismo). Um dos propósitos desta data é alertar governos e autoridades quanto à criação de políticas de saúde pública para o tratamento e diagnóstico do autismo, além de incentivar o subsídio para pesquisas na área e o combate ao preconceito.

O autismo é uma síndrome complexa e mais frequente do que se pensa. A ONU estima que, ao redor do planeta, haja mais de 70 milhões de pessoas com autismo. Só no Brasil, estima-se que existam cerca de 2 milhões de indivíduos autistas, o que corresponde a 1% dos brasileiros. São mais de 300 mil ocorrências apenas no Estado de São Paulo. Mas, afinal, o que é o autismo e como ele afeta a maneira com que esses indivíduos se comunicam e interagem? Como isso se desdobra nas famílias que têm filhos e outros integrantes autistas?

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